Engajamento

imagem ilustrativa para o artigo engajamento

Olhando para seu local de trabalho, qual seria seu palpite para o percentual de pessoas inteiramente engajadas? E olhando para si mesmo, qual nota você daria para o seu próprio nível de engajamento? Antes de continuar a ler o artigo, imagine sua resposta e escreva esses números em um papel. Agora vamos considerar alguns pontos de reflexão. Comecemos pela definição… Entendo engajamento como o ato de participar por inteiro, e de modo voluntário, em algum trabalho, projeto, causa ou atividade. A primeira expressão que me chama atenção nessa definição é “por inteiro”. Engajar-se não é fazer mais ou menos alguma coisa ou de qualquer jeito, é fazer bem feito, com todos os recursos que tem para entregar o melhor de si. A outra expressão que me ressalta aos olhos é “de modo voluntário”, ou seja, engajamento não acontece quando o movimento é motivado por pressão ou obrigação. Uma pessoa engajada é uma pessoa que decidiu participar e contribuir de forma livre e espontânea. Nos ambientes de trabalhos, vejo que tem muitas pessoas comprometidas com suas atividades, mas não necessariamente engajadas.

Pesquisa realizada pelo Instituto Gallup afirma que somente 15% dos profissionais são inteiramente engajados com seus trabalhos. Dos 85% restantes, 67% são passivamente não engajados e 18% são ativamente não engajados. O grupo dos 15% representa os profissionais que não se conformam em simplesmente atender o que lhe pedem, mas buscam surpreender. Assumem uma postura proativa diante dos desafios, pensam na totalidade em vez de focar unicamente em seus interesses próprios e são mais inclinados a colaborar com todo o time. O grupo dos 67% refere-se aos que entregam na medida esperada, chegam até a se confundir com os engajados porque podem demonstrar compromisso com suas atividades, mas não tomam iniciativa voluntária para ir além do solicitado. Os 18% restantes representam os profissionais tóxicos, aqueles que além de não serem engajados ainda contaminam os demais com críticas e ideias negativas sobre a empresa ou grupo que dizem fazer parte.

Considerando que o maior grupo é o dos “passivamente não engajados” (67%), podemos concluir que existe uma grande oportunidade de crescimento nas empresas caso seja liberado o potencial retido dessas pessoas. Proponho uma metáfora… Imaginemos uma árvore. O que influencia na qualidade, tamanho e aparência dessa árvore? Clima, solo, temperatura, luminosidade… Mas além das condições do meio, a qualidade da semente também tem sua forte contribuição. Fazendo um paralelo, a qualidade do engajamento também depende  das condições do meio, como visão clara das organizações, coerência estratégica, oportunidade de crescimento, comunicação clara dos líderes e clima organizacional saudável. Entretanto, mais do que os motivos externos, o que mais interfere no nível de engajamento é a falta de atitude pessoal. Essa atitude pessoal refere-se à qualidade da semente, ou seja, todo esse acervo de recursos internos e gratuitos que cada pessoa possui.

Gostaria de compartilhar três deles: o primeiro é a consciência. A capacidade de olharmos para si e identificarmos nossas forças e oportunidades de melhoria. Aqueles que tomam essa iniciativa não esperam o mundo fazer alguma coisa por eles para que enfim possam se engajar, mas procuram por primeiro  identificar em si mesmos alternativas para se engajarem cada vez mais. O segundo recurso é a conectividade que refere-se à capacidade de trabalhar conectado em uma rede multinível de relacionamentos, envolvendo equipe, líderes, pares, clientes, parceiros, mercado e todas as interfaces que impactam no seu trabalho. Conectividade exige, sobretudo, um olhar atento aos outros e às suas necessidades não atendidas. E por fim o mais forte dos recursos…. a capacidade de contribuir. Essa necessidade humana de contribuição, quando atendida, traz o sentimento de engajamento pleno. Só nos sentimos 100% engajados quando participamos ativamente e quando interferimos positivamente no nosso entorno.

Considerando esses pontos de reflexão, volto a lhe perguntar:

  • Qual seria seu palpite para o percentual de pessoas inteiramente engajadas no seu ambiente de trabalho?
  • E olhando para si mesmo, qual nota você daria para o seu próprio nível de engajamento?
  • Você tem usado seus recursos próprios na potencialidade máxima?
  • Será que você identifica alguma oportunidade de crescimento?

 

Publicado originalmente na coluna Viver Melhor do Diário do Nordeste no dia 25/08/2018

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