Críticas ao Coaching

criticas ao coaching

Você tem incômodos em relação ao coaching? Quais são? Fiz uma pesquisa através das minhas redes sociais e gostaria de compartilhar com você algumas das minhas percepções em relação aos incômodos apresentados.

  1. Não entendo para que serve coaching – Serve para você se conhecer, serve para interferir no seu modo de pensar e consequentemente no seu modo de agir. Serve para alavancar sua performance, entendendo que performance refere-se a qualidade daquilo que você deseja entregar. Por essa ótica, o processo de coaching jamais deve lhe conduzir para a construção de um plano de ação individualista, imediatista e desconectado das pessoas que fazem parte da sua vida. Pelo contrário, deve fundamentalmente provocar reflexões sobre a sustentabilidade e impacto das suas ações em todo o seu entorno e em todas as suas relações.
  2. Coaching é só mais um termo da moda – Ouvi falar em coaching pela primeira vez em 2006 e decidi fazer a formação no ano seguinte para entender o que seria essa coisa de coaching que “estava na moda”… Portanto, sinto-me privilegiada por trabalhar com algo que está na moda no Brasil há no mínimo doze anos e nos Estados Unidos há uns quarenta. Certamente haverá muitas outras pessoas que fizeram curso antes de mim que dirão que o coaching está “na moda” no Brasil ainda há muito mais tempo. Talvez seja como a moda da calça jeans, do celular ou das redes sociais, uma moda que não tem mais volta.
  3. Coaching é só autoajuda – Supondo que o coaching é bobagem de autoajuda e papo motivacional de gente despreparada, imagino que a Harvard Medical School não teria um Instituto de Coaching, sem fins lucrativos, com finalidade de estudar exclusivamente os impactos do coaching na liderança e na medicina. Acredito também que a Stanford University, a Columbia University, a University of Sydney e várias outras universidades de altíssima credibilidade mundial não teriam seus programas de graduação ou pós graduação em coaching. Portanto, aqueles que afirmam que o coaching não tem embasamento científico ou acadêmico, talvez estejam só mal informados ou bebendo da fonte errada.
  4. Agora todo mundo é coach – Entendo perfeitamente as críticas existentes ao coaching. Embora já existam os cursos acadêmicos, não há um órgão regulamentador e, por questões comerciais, os cursos de formação estão cada vez mais curtos. Compreendo também o ceticismo existente diante toda a euforia criada no Brasil em torno do coaching, as promessas de vidas transformadas e dicas de sucesso garantido. Na minha percepção, há de fato muita distorção da essência da profissão. Embora não haja órgão regulamentador, podemos lembrar que consultores também não possuem e não é por esse fato que a profissão de consultoria deixa de ser reconhecida. Temos também várias outras profissões que nascem a partir de cursos específicos ou por experiência em determinada área, como mentores e conselheiros. Na minha opinião não é a falta de regulamentação que vulgariza a profissão, mas o poder que os próprios coaches dão aos títulos comercialmente criados por empresas privadas de treinamento. Titulos de life coach, executive coach, positive coach, wellness coach, master coach e assim por diante. Há muitas empresas sérias de treinamentos em coaching, por sinal fiz os meus primeiros cursos no Brasil e os tenho como um marco na minha carreira, mas ainda assim não considero que são esses títulos que garantem o que de fato o coach entrega. O que faz um coach de credibilidade é seu aprofundamento e fidelidade aos fundamentos que sustentam o processo de coaching, sua experiência de vida, seu acervo de recursos complementares fora do mundo do coaching e muitas horas de prática. As titulações de coaching para um profissional se constroem pelo resultado sustentável que ele gera na vida das pessoas e das empresas, não pelos títulos que alguma empresa os dá. Tive que aprender e desaprender muita coisa para ter o entendimento que hoje tenho de coaching, mas de uma coisa sou certa, a profissão de coach não é para todo mundo, assim como também não é para médicos, arquitetos, artistas ou advogados.

Se você tem opiniões contrárias ao coaching, compreendo perfeitamente que de fato há muitas razões para isso, mas só lhe faço um pedido, amplie suas percepções e não tire suas conclusões pelo que você viu ou experimentou até agora. Talvez suas suposições tenham sido formadas a partir de uma visão limitada do que o coaching de fato é.

 

Publicado originalmente na coluna Viver Melhor do Diário do Nordeste no dia 08/09/2018

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